CRÍTICA ROBOCOP 2014 (SEM SPOILERS)

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Hoje pude conferir na íntegra o remake de Robocop junto com minha namorada Waléria Beloni, gostamos bastante do filme, posso dizer que o longa superou e muito minhas expectativas.

Quem me conhece sabe que sou muito crítico e perfeccionista, mas não daqueles chatos que busca achar apenas defeitos, e sim também ressaltar os pontos positivos. Analisei o filme e também a reação da Waléria que foi minha cobaia (não no modo pejorativo, mas sim por ela não ter visto nenhum dos filmes da trilogia).

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De cara, Samuel L. Jackson, um ator que dispensa comentários, faz uma atuação digna de um mestre e veterano do cinema, mostra que sabe o que faz e nem parece seguir um roteiro, é natural e emotivo. O mesmo interpreta Patrick “Pat” Novak em um discurso intenso, ele consegue colocar em sua cabeça a reflexão de um futuro dominado por máquinas e a manipulação feita pelos poderosos via redes de comunicação em massa. É claro que pensar no uso de máquinas para auxílio doméstico e segurança global me lembrou Matrix, sempre caio nesse conceito e defendo arduamente que a evolução das máquinas pode sim ser o ponto inicial para a extinção humana.

Enfim, o filme se mostra constantemente ativo e cheio de tensão, mantendo o telespectador fixado na telona a todo momento. O segundo fator que me chamou a atenção foi o astro Joel Kinnamaz, que interpreta Alex Murphy, pois mesmo sendo um  novato no mundo de Hollywood, hoje se mostrou apto a uma carreira promissora, suas expressões e atuação foram simplesmente impecáveis, superando ao meu ver muitos atores consagrados. No início o roteiro ele estava meio em off, mas logo quando se transformou em máquina o rapaz deu um show.

Os outros atores como Gary Oldman, Michael Keaton e Abbie Cornish também trabalharam de forma espetacular no filme, mas entre eles Gary Oldman se saiu melhor em sua atuação.

A forma como foi conduzida a trama mostra a influência da estratégia de marketing. Primeiro veio o problema, depois o brainstorm, metodologia de aplicação e logo em seguida a solução, tudo isso para poder alcançar os objetivos de uma empresa que pensa unicamente em lucratividade deixando em todos os sentidos o lado humano de fora, tentando construir a soberania americana sobre o globo usando a segurança como argumento, foi sensacional, provocando assim uma justificativa plausível para transformar Alex em Robocop.

Só dando uma ressalva, mesmo Padilha sendo brasileiro, os traços da bandeira americana são vistos praticamente em 90% do filme, observe bem como o patriotismo americano é explorado no longa. Nem vou comentar também sobre as cenas no Irã que foram totalmente explícitos ao mostrar o fanatismo de um pais e sua violência que passa de pai para filho.

A todo momento você vê Murphy lutando contra as engrenagens que agora fazem parte da maioria de seu corpo, levantando a questão de quem está no controle, a máquina ou o homem? Isso cria de certa forma uma intensidade na trama e deixa mais imprevisível os acontecimentos ao longo da história.

Vendo a reação da Waléria, pude perceber o quanto o roteiro estava fazendo efeito, a raiva e a indignação em determinados trechos do filme, proporcionaram a atração e a curiosidade ao personagem. Nos momentos de ação que constantemente foi frenética e as câmeras com cortes rápidos quase causando um ataque epilético, conseguiram nos transportar para dentro daquele cenário, muitas vezes não me imaginava assistindo e sim participando do momento. A parte da vigilância e o acesso de Murphy ao banco de dados da OCP, na minha opinião foi totalmente genial. Por que ter uma máquina de última geração se ela não consegue conectar com a internet?

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Pensando no lado emotivo, a família de Murphy, diferente do filme da década de 90 teve uma participação ativa na trama. A todo momento você vê a interferência de sua esposa que busca manter o homem que ela amava dentro daquele monte de pedaços de metal e logo em seguida sua busca por justiça. Seu filho que não consegue similar se o que ele vê é seu pai realmente ou se é uma projeção mecânica do mesmo.

Não posso negar que o filme tem uma pitada de Tropa de Elite, isso é justificável por ser uma característica do diretor que deu muito certo neste caso, sendo que a MGM ficou um bom tempo com o projeto arquivado esperando algo novo que lhe chamasse a atenção. Logo José Padilha com seu primeiro Tropa de Elite que acendeu as chamas dos estúdio do famoso leão uivante a retomar o projeto do policial do futuro. A corrupção dentro da polícia e tudo mais não é algo que Padilha trouxe para o filme, o primeiro longa de 1987 retratou muito bem essas ocorrências que se tornou muito forte no (infelizmente) terceiro filme da série.

O design do filme muitas vezes me lembrou Avatar, com vários painéis holográficos brilhantes e móveis na maioria dos cenários e também em um trecho específico, quando Muphy acorda de seu sono e descobre que agora é um organismo vivo dentro de uma “engenhoca”, ele pula o muro e sai correndo pelos campos de arroz, (Jake Sully conhecendo seu novo corpo). Sua moto também está de parabéns, claro que faltou o famoso carro, mas a moto desenvolvida especialmente para o policial do futuro tem uma design peculiar e provavelmente chamou a atenção de muitos loucos por um vento na cara. Já o visual de Murphy todo em carbono não me agradou em nada, o redesign da armadura original usada por Peter Weller no primeiro filme ficou perfeita. Na cena em que mostra sua parte biológica achei fenomenal, olhei para o lado e vi a expressão da Waléria de nojo e inconformidade, a computação gráfica usada ficou impecável. O upgrade das armas que saem dos quadris de Robocop foi também justificável e bem aplicado ao meu ver. Claro que o conceito de velho oeste do primeiro com o saque rápido de um único revolver era bem bacana, mas sacar dois é mais legal convenhamos.

Não poderia deixar de falar sobre a trilha sonora que foi importantíssima na trama. A clássica vinheta composta por Basil Poledouris não ficou de fora. Outros pontos importantes tiveram encaixes de trilha muito bons como na dança de Alex e sua esposa em seu sonho “Fly Me To The Moon” de Frank Sinatra, outra que rola em seu primeiro teste que é fabulosa “If I Only Had A Heart” do clássico O Mágico de Oz e a engraçada “Hocus Pocus” do cantor Focus que fica em off em seu segundo teste. Acho que faltou uma música na trilha que é Inside the Machine do Bruce Dickinson.

Falando agora sobre a questão de ser um Remake, não acredito que este filme tenha superado o primeiro Robocop, ele trouxe um novo tipo de reflexão sobre o personagem, mas a censura e sua origem para mim ainda não são justificáveis. Coloquei em minha cabeça que esse filme é como se fosse os universos paralelos da Marvel.

Creio que a crueldade e insanidade do longa de 87 puderam causar mais espanto e indignação do que o remake. A roupa preta usada no filme também não foi favorável, o fato de ser usada como uma jogada estratégica de marketing e design, mostrou uma certa fraqueza para encobrir os movimentos e a CG usada durante as cenas de combate do personagem. Nem preciso dizer sobre a mão do personagem que deixaram aparente, claro que segundo o marketing isso daria ainda mais um lado humano ao policial e familiarizava com o que os cidadãos queriam, mas acho que já bastava seu rosto para mostrar isso. Totalmente dispensável o mãozinha da Família Adams. Prefiro o primeiro Murphy travado que poderia retratar um futuro mais próximo.

Outro personagem que não me conformei foi o ED-209, seu redesign pobre a lá Exterminador do Futuro e sua participação praticamente coadjuvante foi um erro gravíssimo que descaracteriza esse filme como Remake, sendo que os fãs da série sabem que Robocop e ED são importantes personagens da história.

Bom, é isso pessoal. Recomendo, vale muito a pena, é um ótimo longa e acho que ele mostrou todo o potencial brasileiro na direção de um filme norte americano. Padilha está de parabéns e torço para que ele recupere esses pontos importantes da história desse personagem que foi muito importante na minha infância.

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Minha opinião final. Vale muito a pena, é um ótimo longa e acho que ele mostrou todo o potencial brasileiro na direção de um filme norte americano. Padilha está de parabéns e torço para que ele recupere esses pontos importantes da história desse personagem que foi muito importante na minha infância.

Para quem ainda não conferiu, fica o trailer:

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