O RELÓGIO ESTÁ CORRENDO, SUA VIDA ESTÁ COM PRESSA. E VOCÊ, ESTÁ FAZENDO O QUE AMA NESTE MOMENTO?

Admito que não sou fã de rótulos estipulados por “gerações“, que, na minha opinião, são construídos para facilitar o entendimento comportamental da cada fase de uma sociedade. Acabamos dividindo e definindo tudo em pequenos blocos, que, nas entrelinhas, podem ser constatados pelas diferenças entre idades. Calma. É claro que a Era em que essas pessoas estão vivendo é totalmente diferente de outras que já foram vividas. Os avanços tecnológicos, os valores, os acessos e outros inúmeros fatores se modificaram no decorrer desta evolução, mas um importante ponto é que as outras “gerações paralelas” – que permanecem vivas – também estão acompanhando tais mudanças. Claro que com uma ótica totalmente diferente, sofrendo outros impactos e registrando outras impressões. Por isso, gostaria de deixar claro que este provocativo artigo não é direcionado apenas a alguma geração X, Y ou Z e, sim, para todos os seres humanos quem têm o prazer – ou a falsa sensação – de estar vivendo.

Para começar, a Box1824, empresa de pesquisa especializada em tendências de comportamento e consumo, fez um fantástico estudo que evidencia algumas das principais diferenças comportamentais desta atual fase que vivemos com algumas já vividas. Sem rotular, a ideia que gostaria que envelopasse este estudo da Box é a de que nem todos que – matematicamente – compõe uma “geração” são, de fato, condizentes com o comportamento esperado ou o que “deve” ser adotado por este bloco da massa. Por exemplo, eu tenho uma mãe – que não é “Y” – que domina uma recente tecnologia e já é viciada no consumo e na geração de conteúdo do iPad. Prática que eu, no entanto, mesmo sendo teoricamente um membro da “Geração Y”, ainda não me preocupei em exercer.

O estudo denominado “All work and all play” estabelece um interessante comparativo entre os diferentes objetivos, valores e destinos que os principais traços comportamentais das diferentes gerações construíram ao decorrer de um período. É estabelecida uma nova perspectiva proveniente deste atual modo com o qual temos levado a vida e, consequentemente, transformado o mundo. O vídeo me foi bastante inspirador e, na certa, vai lhe provocar uma porção de questionamentos que eu, como autor deste post, pretendo refletir ou complicar ainda mais ao decorrer deste artigo:

Apesar do fantástico trabalho da Box, seria bom que nos atentássemos a alguns fatos que implicam nesta divisão de “gerações”. Afinal, como exemplificado anteriormente, nem todos seguem a mesma linha de raciocínio proveniente destes blocos divisórios. É fácil notar que muitos colegas “de geração” ainda acreditam que o plano de carreira é apenas um sinônimo para o plano de vida. Sendo assim, acabam depositando todo o seu tempo em um enigmático e suspeito jogo de ambições e sacrifícios temporários que, no decorrer da partida, se convertem numa rotina a qual, infelizmente, após determinado período, é adequada e aceita como realidade. Como o vídeo ilustra, a “Geração X” se torna refém de distantes e ilustrativos sonhos pintados à ambição, sacrifícios e status. Daí, pare e pense um pouco: qual é o seu plano neste exato momento? Onde você trabalha? Qual a sua perspectiva? Você está vivendo o seu sonho?

Uma das melhores definições de insanidade que já li é o fato de sempre repetir exatamente as mesmas atitudes e – de modo totalmente absurdo – aguardar e gerar expectativa para diferentes resultados. Enxergar isso atualmente é muito simples: é só assistir os amigos reclamarem de seus trabalhos, cargos, salários, perspectivas, tempo, vida social e sonhos sem nem sequer – de fato – tentar mudar o rumo do jogo.

Após ter assistido este vídeo e ter misturado estas diferentes constatações de “gerações” a alguns traços comportamentais de nossa sociedade, me lembrei de uma provocativa constatação que Dalai Lama fez ao ser questionado sobre o que mais o surpreendia na humanidade:

“O que mais me surpreende na humanidade são os ‘homens’. Porque perdem a saúde para juntar dinheiro. Depois, perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem-se do presente de tal forma que não vivem nem o presente, nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer… E morrem como se nunca tivessem vivido.”

Acredito que a gente consiga evoluir muito com estas possíveis mudanças comportamentais.

Mas o mais difícil – além de encarar tudo isso – é tentar fugir destes “modelos de sucessos” que nossa sociedade tem cultivado. Pois no final, se você não está fazendo o que ama e está usando a sua vida como um ‘ensaio’, é melhor você repensar seus próximos passos, não acha?

Algo muito interessante que o vídeo coloca como uma das principais características comportamentais desta atual geração é a ideia de se tirar proveito da vida durante o ‘caminho’ e não se apoiar em um pretenso sucesso final. É permanecer ambicioso, mas de forma mais ponderada e “racional”. É saber que a vida é agora e não daqui a alguns distantes anos. É conseguir “praticar” o comportamento que lhe permite mudar de direção com rapidez e desapego. Vivendo melhor o presente sem a ilusão de que tem total controle sobre o futuro.

Praticar a conflitante teoria de uma vida plena parece ser bem utópico. Porque, afinal, é ir contra inúmeras e diferentes pressões. É apostar que ser uma solteirona convicta e não atender à machista pressão de que para ser feliz é necessário estar com alguém ou ter filhos, no fim das contas, acaba por exigir um pouco mais de esforço. É conseguir viver sem se importar com os antiquados julgamentos que vão rejeitar uma nova rota que foge o rebanho. É não ligar para estes “ácidos olhares” – que podem estar apenas invejando a forma como você esta encarando tudo – e apenas praticar o que lhe faz feliz, deixando de lado o medo da imagem que os outros estão construindo sobre você.

Tendo em vista que você já leu até aqui – espero que as coisas estejam fazendo algum tipo de sentido -, eu gostaria de propor o seguinte “exercício”: tente estabelecer, mesmo que mentalmente, uma vida em que, ao invés de ter apenas 5 dias úteis, você consiga ter 7. Que você não se console com o “fim do expediente” ou com o “fim de semana“. Que você não se acostume a descarregar todas as frustrações coletadas durante a semana em válvulas de escape que a maioria acaba aderindo para amenizar e calar o pedido interno de mudança.

Você acha que conseguiria se adaptar a este novo formato de vida ou será que já se acostumou com a sua rotina de sobrevivência a ponto de ignorar o fato de que, talvez, você não esteja fazendo o que realmente ama?

O texto “Eu sei, mas não devia“, da Marina Colasanti, foi um complemento necessário para fechar este raciocínio pelo simples fato de traduzir – em sábias palavras – inúmeras sensações internas que a gente tem, sabe, “mas não devia”. Recitado por Antônio Abujamra, você na certa vai demorar alguns minutos para recuperar o fôlego depois de dar o primeiro play:

Precisamos ter coragem de cultivar um comportamento onde o foco reside na experiência e não na possível – e distante – obtenção de “memórias ilustradas” que pretendemos colher no decorrer de um futuro e imprevisível caminho. É ser realista e aceitar que bom mesmo é viver “o agora” e não correr atrás de um delicado sonho sustentado em um pedestal de inseguranças e sacrifícios que vão lhe consumir parte da vida sem ter a certeza de chegar lá.

Espero que os inúmeros parágrafos não tenham atrapalhado o acesso aos dois fantásticos vídeos deste artigo, pois uma outra peculiar e atual característica comportamental da nossa sociedade é que consumimos, de modo cada vez mais superficial, todas as informações que nos são vomitadas nos mais diferentes tipos de mídia. Temos tanto acesso que, muitas vezes, nem sabemos como lidar com tanta informação. Por isso, temos a tendência de deixar as respostas com o Google no lugar de tentar aprender. Por este motivo, suspeito que poucas pessoas vão argumentar, espalhar ou formar qualquer opinião sobre este longo artigo. Afinal, a vida tem pressa e nem todo mundo vai ter “tempo suficiente” para ler esta fantástica sequência de baboseiras, não é mesmo?

Fonte: Comunicadores

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